... quero tanto decorar e preparar o teu quarto...
terça-feira, 23 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Nunca contei isto a ninguém, mas gosto de falar contigo quando estou sozinha. De saber que estás algures à espera de vires ter comigo e com o pai.
Conto-te a história de como nos conhecemos, de tudo o que passámos juntos, da vontade que temos em te ter, da tua família que te adora sem sequer saber se vens ou não. Conto-te que não há maior amor do que este que sentimos por ti, na esperança que assim, talvez, chegues mais depressa. E tenho a certeza de que me ouves.
Falo contigo como qualquer mãe fala com o seu filho. Embalo-te nas minhas palavras, acaricio-te com as lágrimas que por vezes teimam em me escorrer pela cara. Vejo-te em todos os sorrisos do pai, em todas as gargalhadas dos tios e em todos os mimos dos avós.
Imagino cenários, histórias e coisas que gostava de fazer contigo. E deito-me a pedir para sonhar contigo, quase todos os dia.
És desejado por todos e amado incondicionalmente. Tens um quarto que será teu, um nome, tios, avós, primos e muitos amigos. Dois pais que se sentem irremediavelmente incompletos, apesar de poderem aparentar ter tudo para uma vida plena e feliz.
Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para te ter connosco e mesmo assim continuamos só os dois.
Conto-te a história de como nos conhecemos, de tudo o que passámos juntos, da vontade que temos em te ter, da tua família que te adora sem sequer saber se vens ou não. Conto-te que não há maior amor do que este que sentimos por ti, na esperança que assim, talvez, chegues mais depressa. E tenho a certeza de que me ouves.
Falo contigo como qualquer mãe fala com o seu filho. Embalo-te nas minhas palavras, acaricio-te com as lágrimas que por vezes teimam em me escorrer pela cara. Vejo-te em todos os sorrisos do pai, em todas as gargalhadas dos tios e em todos os mimos dos avós.
Imagino cenários, histórias e coisas que gostava de fazer contigo. E deito-me a pedir para sonhar contigo, quase todos os dia.
És desejado por todos e amado incondicionalmente. Tens um quarto que será teu, um nome, tios, avós, primos e muitos amigos. Dois pais que se sentem irremediavelmente incompletos, apesar de poderem aparentar ter tudo para uma vida plena e feliz.
Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para te ter connosco e mesmo assim continuamos só os dois.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Da vida que se vai vivendo
Passaram-se 10 meses desde a última consulta. Dez meses desde que ouvi dizer que o novo centro de PMA ia abrir, e que não havia lista de esperas e que tudo seria rápido.
Nesses 10 meses, o centro abriu em Abril, começaram a chamar para FIV em Maio e eu continuei à espera. Esperei, telefonei, tentei informar-me. Sem me chamarem e sem me darem nenhum tipo de informação. Depois de alguma insistência descubro que o meu processo estava arquivado. E se não tivesse insistido, telefonado e perguntado, talvez nunca o tivessem descoberto. É-me feito um pedido de desculpas, pelo Dr.S., que me promete resolver a situação o mais rapidamente possível, pois já devia ter sido chamada a iniciar tratamento. Promete levar o meu processo à reunião da semana seguinte.
Chega a semana e eu sem novidades. Volto a ligar e pergunto pelo meu processo que deveria ter ido a reunião. Sou informada que o processo não tinha ido a reunião, e que também já não iria antes de Setembro, pois o Dr. S. tinha entrado de férias. Senti-me enganada e lubridiada e chorei como há já muito tempo não chorava.
E entretanto é Agosto e já passaram 10 meses.
Nesses 10 meses, o centro abriu em Abril, começaram a chamar para FIV em Maio e eu continuei à espera. Esperei, telefonei, tentei informar-me. Sem me chamarem e sem me darem nenhum tipo de informação. Depois de alguma insistência descubro que o meu processo estava arquivado. E se não tivesse insistido, telefonado e perguntado, talvez nunca o tivessem descoberto. É-me feito um pedido de desculpas, pelo Dr.S., que me promete resolver a situação o mais rapidamente possível, pois já devia ter sido chamada a iniciar tratamento. Promete levar o meu processo à reunião da semana seguinte.
Chega a semana e eu sem novidades. Volto a ligar e pergunto pelo meu processo que deveria ter ido a reunião. Sou informada que o processo não tinha ido a reunião, e que também já não iria antes de Setembro, pois o Dr. S. tinha entrado de férias. Senti-me enganada e lubridiada e chorei como há já muito tempo não chorava.
E entretanto é Agosto e já passaram 10 meses.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Da fertilidade dos outros...
Ultimamente é como se andasse anestesiada. Os amigos grávidos sucedem-se uns atrás dos outros, e todos como muito pouca sensibilidade na maneira como me dão a notícia. Sinto-me feliz por eles. A sério que sinto. Por não fazerem a mínima ideia do que é passar por isto. Deste aperto que se sente, deste nó na garganta que fica depois de alguém nos dizer "Estamos grávidos". Porque se somos amigos, e sabendo eles da nossa situação, custava muito dizerem-nos que estão a tentar, ou darem-me a notícia em privado, em vez de me fazerem passar pelo tormento de ter de sorrir e dar beijinhos aos futuros papás, quando naquele momento o que preciso é de respirar fundo e deixar que a notícia penetre na minha mente antes de conseguir esboçar o primeiro sorriso. Porque na mesma semana ficar a saber de mais 3 bebés a caminho, e de sérmos agora os únicos sem filhos não é fácil. Porque não são só os bébés a caminho. São as comversas que agora só giram à volta de roupa de grávida, sintomas de grávida, barrigas, ecografias, consultas, toxoplasmose, o melhor carrinho, onde comprar o berço, as fraldas, as cadeirinhas, as lojas com as roupinhas mais bonitas.... Porque o difícil, não é ficar feliz com a felicidade dos outros. Mas eu não posso nem quero tomar partes nestas conversas e fingir que fico bem com isto. Porque na realidade não fico. Quase que é caso para dizer"Procuram-se novos amigos. Sem filhos. Para manter a sanidade mental."
quarta-feira, 16 de março de 2011
Depois de muito tempo...
Já passou muito tempo desde que aqui vim a ultima vez. Mas apesar de todo o tempo que passou, tudo continua na mesma - pelo menos neste campo.
Continuo à espera que me chamem para a FIV. O que deveria ser no início do ano está a arrastar-se um pouco mais do que eu esperava. Não sei se vai demorar muito mais ou não. Deveria ligar para saber alguma coisa, mas prefiro ficar nesta ignorância mais um tempo.
Desculpa bébé!
Não é que não queira saber de ti. Não é que não te deseje cada vez mais. Mas o tempo vai passando e eu luto sem saber se ter devo continuar a amar, ou se devo descansar e esperar que venhas realmente.
Outras coisas estão a correr bem. Era optimo que viesses, pois seria o ponto alto de um ano que me está a ser muito bom. Mas acredita que seria muito melhor contigo.
Todos os dias abro a caixa do correio na esperança de encontrar a carta que finalmente dará início a este preocesso. Ainda não chegou. E eu continuo com o meu dia.
A ver os bébés a crescerem e multiplicarem-se à minha volta. A pegar-lhes, beijá-los e a amá-los também. Não com inveja, mas pensando que isso poderá ser o mais perto que tenho de ter um bébé nas mãos.
Não devemos jamais ser derrotistas. E eu não sou. Sou alegre, comunicativa, positiva. Mas nunca me posso esquecer que a possibilidade real de nunca ter um filho existe. Está presente.
Será que virás bébé?
Continuo à espera que me chamem para a FIV. O que deveria ser no início do ano está a arrastar-se um pouco mais do que eu esperava. Não sei se vai demorar muito mais ou não. Deveria ligar para saber alguma coisa, mas prefiro ficar nesta ignorância mais um tempo.
Desculpa bébé!
Não é que não queira saber de ti. Não é que não te deseje cada vez mais. Mas o tempo vai passando e eu luto sem saber se ter devo continuar a amar, ou se devo descansar e esperar que venhas realmente.
Outras coisas estão a correr bem. Era optimo que viesses, pois seria o ponto alto de um ano que me está a ser muito bom. Mas acredita que seria muito melhor contigo.
Todos os dias abro a caixa do correio na esperança de encontrar a carta que finalmente dará início a este preocesso. Ainda não chegou. E eu continuo com o meu dia.
A ver os bébés a crescerem e multiplicarem-se à minha volta. A pegar-lhes, beijá-los e a amá-los também. Não com inveja, mas pensando que isso poderá ser o mais perto que tenho de ter um bébé nas mãos.
Não devemos jamais ser derrotistas. E eu não sou. Sou alegre, comunicativa, positiva. Mas nunca me posso esquecer que a possibilidade real de nunca ter um filho existe. Está presente.
Será que virás bébé?
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Nova Página. Esperança Renovada!
E fomos hoje à consulta.
Do resultado da laparoscopia o Dr. S. foi curto e directo, como eu gosto. "Dificilmente conseguirão uma gravidez espontânea. Uma das trompas está totalmente obstruída, e a outra é muito pouco permeável, correndo um grande risco - se eventualmente conseguirem uma gravidez natural- de uma gravidez ectopica."
Segue-se a FIV, como já tinhamos falado em Junho.
Novo espermograma para o M. que já fomos marcar e ficou para dia 25 de Outubro. E análises diversas.
Para mim apenas uma nova análise de 3ºdia, e um cataterismo uterino a marcar assim que a menstruação aparecer.
Depois o processo poderá iniciar-se. E mesmo tendo de esperar algum tempo, já que somos seguidos no SNS o Dr. S, falou para o início do próximo ano.
Mas estamos bem. Felizes. Com respostas. Com um caminho traçado. Com etapas a seguir.
E com o virar de mais uma página nesta nossa caminhada com uma enorme esperança de que em breve, certamente, teremos o(s) nosso(s) filho(s) nos braços.
(E no dia em que soube que dificilmente conseguirei gerar uma vida sem a ajuda de PMA, foi o dia em que decidi (finalmente) dar vida, e me inscrevi como dadora de medula óssea!)
Do resultado da laparoscopia o Dr. S. foi curto e directo, como eu gosto. "Dificilmente conseguirão uma gravidez espontânea. Uma das trompas está totalmente obstruída, e a outra é muito pouco permeável, correndo um grande risco - se eventualmente conseguirem uma gravidez natural- de uma gravidez ectopica."
Segue-se a FIV, como já tinhamos falado em Junho.
Novo espermograma para o M. que já fomos marcar e ficou para dia 25 de Outubro. E análises diversas.
Para mim apenas uma nova análise de 3ºdia, e um cataterismo uterino a marcar assim que a menstruação aparecer.
Depois o processo poderá iniciar-se. E mesmo tendo de esperar algum tempo, já que somos seguidos no SNS o Dr. S, falou para o início do próximo ano.
Mas estamos bem. Felizes. Com respostas. Com um caminho traçado. Com etapas a seguir.
E com o virar de mais uma página nesta nossa caminhada com uma enorme esperança de que em breve, certamente, teremos o(s) nosso(s) filho(s) nos braços.
(E no dia em que soube que dificilmente conseguirei gerar uma vida sem a ajuda de PMA, foi o dia em que decidi (finalmente) dar vida, e me inscrevi como dadora de medula óssea!)
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Dos ultimos tempos...
Muitas coisas se passaram desde a ultima vez que aqui escrevi.
O ultimo tratamento não deu qualquer resultado. Os óvulos eram excelentes, as análises mostravam que estava tudo perfeito para levar uma gravidez avante. Mas, apesar de termos feito tudo "direitinho", mais uma vez o periodo apareceu não dando margem para dúvidas.
Tive depois nova consulta dia 14 de Junho, em que o Dr. S. voltou a questionar as minhas trompas que, apesar de uma histerosalpinografia com resultado normal, sempre o deixaram desconfiado. Tinhamos falado anteriormente da laparoscopia exploratória e já não saí de lá sem ter dado entrada dos papeis para a mesma. Dependendo do resultado logo se veria o que fazer, mas falou-me já na FIV, talvez para nos ir preparando.
Acabei por ser operada dia 13 de Julho. Correu tudo bem, tive uma recuperação rápida, nunca tive dores, apenas alguma limitação de movimentos como, por exemplo, baixar-me. A médica que me deu alta falou qualquer coisa acerca de uma das trompas estar obstruída (não percebi total se parcialmente), mas deixou todos as outras considerações para o Dr. S.
E, por causa das férias, só consegui marcar consulta para 20 de Setembro. (O que não é mau de todo - tenho andado ocupada com um projecto profissional que nem me tem deixado parar para pensar muito em bébés - e por outro lado estou quase a ir de férias e depois é a consulta e logo se vê o que o Dr. S. diz!)
Entretanto voltou a vir-me o periodo dia 1 de Agosto, com 2 dias de hemorragias enormes, que presumo terem alguma coisa a ver com a laparoscopia (ou não). O que interessa é que já voltou ao normal.
Não sei qual vai ser o caminho depois de 20 de Setembro. Talvez a FIV, que o Dr. S. não é medico de atirar diagnósticos para o ar, e se ele falou nisto, algum fundamento há de ter. Cá estarei para o que se seguir. Não me sinto triste, nem decepcionada, nem desiludida.
Encaro este problema como se fosse qualquer outro problema de saúde, e farei tudo o que conseguir para o superar. Mas não paro a minha vida por causa dele. Não posso nem quero.
Entretanto nasceu o meu "sobrinho" G., o meu afilhado fez 1 ano, a minha amiga R., mãe do meu afilhado está novamente grávida, e tenho sabido de mais uma mão cheia de gravidezes felizes. E fico feliz por todas elas. Porque me contam, porque partilham comigo esses momentos fantásticos sem hesitações ou medos.
Sempre tive uma atitude muito positiva em relação à minha (in)fertilidade. E ultimamente tenho sentido - e cada vez mais forte - que nunca vou ter um filho. Curiosamente não fico mais triste por isso. Dou por mim a aceitar pacificamente essa possível condição, a enumerar vantagens de não ter filhos, a absorver cada momento com os bébés das minhas amigas e a "despedir-me" das crianças que possivelmente nunca terei. Chamem-lhe mecanismo de defesa.
Fiz mudanças cá em casa. Deixei de ter um escritório meio preparado para se transformar em quarto de bébé, e alterei-o para um espaço de trabalho/quarto de hóspedes muito mais funcional e que serve realmente as nossas necessidades actuais.
Estou agora quase a ir de férias. Depois disso começo a pensar na minha consulta. Mas nessa altura já só faltará menos de 1 mês. E isso passa a correr.
O ultimo tratamento não deu qualquer resultado. Os óvulos eram excelentes, as análises mostravam que estava tudo perfeito para levar uma gravidez avante. Mas, apesar de termos feito tudo "direitinho", mais uma vez o periodo apareceu não dando margem para dúvidas.
Tive depois nova consulta dia 14 de Junho, em que o Dr. S. voltou a questionar as minhas trompas que, apesar de uma histerosalpinografia com resultado normal, sempre o deixaram desconfiado. Tinhamos falado anteriormente da laparoscopia exploratória e já não saí de lá sem ter dado entrada dos papeis para a mesma. Dependendo do resultado logo se veria o que fazer, mas falou-me já na FIV, talvez para nos ir preparando.
Acabei por ser operada dia 13 de Julho. Correu tudo bem, tive uma recuperação rápida, nunca tive dores, apenas alguma limitação de movimentos como, por exemplo, baixar-me. A médica que me deu alta falou qualquer coisa acerca de uma das trompas estar obstruída (não percebi total se parcialmente), mas deixou todos as outras considerações para o Dr. S.
E, por causa das férias, só consegui marcar consulta para 20 de Setembro. (O que não é mau de todo - tenho andado ocupada com um projecto profissional que nem me tem deixado parar para pensar muito em bébés - e por outro lado estou quase a ir de férias e depois é a consulta e logo se vê o que o Dr. S. diz!)
Entretanto voltou a vir-me o periodo dia 1 de Agosto, com 2 dias de hemorragias enormes, que presumo terem alguma coisa a ver com a laparoscopia (ou não). O que interessa é que já voltou ao normal.
Não sei qual vai ser o caminho depois de 20 de Setembro. Talvez a FIV, que o Dr. S. não é medico de atirar diagnósticos para o ar, e se ele falou nisto, algum fundamento há de ter. Cá estarei para o que se seguir. Não me sinto triste, nem decepcionada, nem desiludida.
Encaro este problema como se fosse qualquer outro problema de saúde, e farei tudo o que conseguir para o superar. Mas não paro a minha vida por causa dele. Não posso nem quero.
Entretanto nasceu o meu "sobrinho" G., o meu afilhado fez 1 ano, a minha amiga R., mãe do meu afilhado está novamente grávida, e tenho sabido de mais uma mão cheia de gravidezes felizes. E fico feliz por todas elas. Porque me contam, porque partilham comigo esses momentos fantásticos sem hesitações ou medos.
Sempre tive uma atitude muito positiva em relação à minha (in)fertilidade. E ultimamente tenho sentido - e cada vez mais forte - que nunca vou ter um filho. Curiosamente não fico mais triste por isso. Dou por mim a aceitar pacificamente essa possível condição, a enumerar vantagens de não ter filhos, a absorver cada momento com os bébés das minhas amigas e a "despedir-me" das crianças que possivelmente nunca terei. Chamem-lhe mecanismo de defesa.
Fiz mudanças cá em casa. Deixei de ter um escritório meio preparado para se transformar em quarto de bébé, e alterei-o para um espaço de trabalho/quarto de hóspedes muito mais funcional e que serve realmente as nossas necessidades actuais.
Estou agora quase a ir de férias. Depois disso começo a pensar na minha consulta. Mas nessa altura já só faltará menos de 1 mês. E isso passa a correr.
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